J’accuse

Há pouco, terminei de assistir ao filme O Oficial e o Espião (J’accuse), do Polanski. Na minha modestíssima opinião de cinéfilo amador, o filme é um marco para o tempo em que vivemos.

Vento Leste

Você pergunta se não me sinto só? O objetivo é esse, ficar imerso na solidão absoluta. Para não me acusarem de exagero, desço uma vez à cidade de dois em dois meses para sacar dinheiro, comprar mantimentos não perecíveis, vender alguns produtos orgânicos e deixar para oferta o artesanato que crio. Acredite, isso já basta para me lembrar da sensação sufocante que predomina naquilo que chamamos de civilização. Civilizados são os bárbaros domesticados e camuflados no eufemismo léxico.

A prisão do peripatético

Enfurnados em casa ou desamparados nas ruas, estamos todos preferindo o cárcere privado à exposição que pode causar consequências imprevisíveis. Nosso carcereiro é um vírus que nos confrontou com a perspectiva da morte, com a nossa fragilidade e impotência. A cada novo despertar, precisamos nos convencer que a ameaça é real, apesar de invisível.

A primeira vez

Início dos anos 90, Copacabana pulsava com toda a sua opulência erótica. Boates, galerias, bares, praças, a vida noturna no regime mais democrático que havia no Rio. Eu costumava despencar da Tijuca ao Posto 6 para caminhar, ver gente, entrar em algum botequim e algumas vezes conviver com a fauna mundana que habitava a Discoteca Help, na Avenida Atlântica. Lembro dessas noites como flashs de luz ofuscando meus olhos.

Os dias de chuva são os piores

Qualquer um irá considerar bizarro se eu disser que esperava cair nesta situação. É verdade, antecipei o meu próprio infortúnio e sabia quando ele começaria a se desenhar. Morre pai, morre mãe, a família se fragmenta, o desemprego, perde-se o pouco patrimônio, ganha-se dívidas impagáveis. Resta aquela que é o único acolhimento possível: a rua.