Centro do nada

Hoje, no meio da tarde, estive no Centro do Rio após seis meses ausente e fiquei chocado. A Tijuca está com mais movimento do que o Centro. Uma parte do comércio, pelo que observei, não resistiu. A boa notícia é que a velha livraria Elizart, na Av. Marechal Floriano, pulsava e parecia estar firme na resistência. Foi muito triste ver o Centro apático, abatido, com aparência de lugar que definha.

Atemporal

A biografia humana se divide em câmaras isoladas pelas paredes do tempo. Nossa memória está presa ao período em que vivemos. O aquém é o que nos contam de um pretérito que não testemunhamos; o além são as suposições e as fantasias sobre o que gostaríamos de viver. O passado e o futuro que ficam fora do nosso alcance são ficções que idealizamos. Atente, quando seus olhos começarem a percorrer o próximo parágrafo desta página, quando sua mente erguer as cenas e os personagens que aqui vão inscritos, a narrativa dominará a sua consciência, ela será real.

Destroços

Quando abri a cortina, os raios de luz da manhã de outono invadiram o quarto, bárbaros conquistando um território inexplorado. Estico o corpo e as juntas estalam secas na dissipação da preguiça. Respiro fundo. Tudo igual num dia que será, provavelmente, idêntico ao anterior. Desde que o vírus alcançou o Rio, a rotina me remetia ao filme “Feitiço do Tempo”, em que o personagem de Bill Murray estava obrigado a reviver sem cessar todos os acontecimentos de uma mesma data.

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