Eu, subversivo

Demorei a encontrar um caminho viável para publicar um livro sem sair no prejuízo. Não concordo que quem escreve livros deva ficar feliz apenas em divulgar seu trabalho caso não consiga romper o funil das grandes editoras, que hoje atuam por critérios obscuros ditados pelos bancos que as controlam.

Rapapés

Há em todos nós um bajulador incontido e obsessivo. Porém, o brasileiro não é sabujo de qualquer um, é preciso que ele identifique algum lastro de nobreza que faça valer o esforço. Se olha para baixo, o brasileiro sente um irrefreável impulso de cuspir na cabeça da plebe; mas caso seja obrigado a olhar para cima, ele lambe os pés alheios com a saliva eufórica do cão que idolatra o dono.

A moeda de Caronte

Talvez, por coincidência ou por um paralelo de ideias, na mesma semana que assisti a “Coringa” lembrei-me de outro filme icônico intitulado “Eu, Daniel Blake”. De certa forma, num paralelismo bruto, os dois filmes guardam uma essência em comum. Falam de protagonistas acossados por uma estrutura social insensível, mas que resistem no limite de suas crenças.

Aberrações

Alguém me disse que preciso temperar com mais humor os meus textos. Como?! Submerso nesta realidade opressiva, me parece que o humor seria um escárnio contra os que padecem debaixo dos meus olhos fugitivos.

Um almoço com Machado de Assis

A mais intensa biografia sobre Machado de Assis continua sendo a de Lúcia Miguel Pereira, escrita nos idos de 1930. A autora teve a valiosa oportunidade de entrevistar algumas pessoas que mantiveram contato direto com o bruxo do Cosme Velho. Costura com maestria as correlações que unem a história do escritor ao contexto de sua obra. Certamente, fica mais fácil decifrar Machado lendo Lúcia Miguel Pereira, que com sensibilidade e empenho nos apresentou o sujeito oculto.

Diabetes

Diabetes, resultado de uma voracidade indiscriminada. A glicose invadira seu sangue como uma horda de bárbaros ansiosos por inundá-lo de uma selvagem doçura insalubre, todos dispostos a impor novas leis à sua alma. Diabetes, essa maresia de açúcar que corroía seu corpo de dentro para fora. O deleite dos seus excessos dionisíacos agora queria condená-lo à castração do apetite.

O homicídio banalizado

São tragédias constantes envolvendo motoristas de aplicativos. Pais de família que são assassinados, jovens motoristas que são mortos pela violência urbana, o comum entre todos eles é que encontram a vida abreviada no momento em que prestam serviço para alguma empresa estrangeira que faz a gestão desses aplicativos, mas que alegam não guardarem nenhum laço de proteção trabalhista com as vítimas.

Táxis à deriva, uma história da covardia

Acordei bombardeado pelas notícias que narram mais capítulos de maldades do governo Bolsonaro, sempre apoiado pelos seus robôs virtuais e cidadãos guiados por infantilismos políticos. Lembrei-me que a primeira grande demonstração do poder destrutivo das Redes Sociais aconteceu contra os taxistas. Foi contra eles que se inaugurou um maciço discurso de ódio, uma vingança movida por ferozes autômatos digitais disparados sobre uma classe inteira de operários do volante.