O escritor

Para quem você escreve? Por que você escreve? Questões que badalam como sinos eclesiásticos na mente de quem está diante da página em branco. Um país de miseráveis iletrados, de incontáveis ignorantes e toneladas de analfabetos. Por que você escreve? O que sabemos é que o país de poucos leitores transborda de escritores que se imaginam lidos, que ousam sonhar com o trono dos best-sellers. O autor é um ator que inúmeras vezes apresenta o texto para um teatro vazio, mesmo assim ele se lança no vácuo. Criar é permanência.

Escrever é, em todos os sentidos, a arte de alucinar-se. Há quem diga que um escritor não apela posando em fotos com gatinhos, cachorrinhos, bebês e outros símbolos de fofura. O escritor se exibe nas palavras, não em selfies sentimentais. Ser o mais vendido talvez não defina o autor, mas revela um bom publicitário. Ele clama no deserto, caminha por ruas desabitadas. Só. O escritor é um eco que insiste. Escrever é uma subversão, é uma esperança que morre no fim de cada frase e rebela-se na continuidade de um novo parágrafo. Alvenaria de quem constrói e desconstrói. O escritor é um pedreiro que se comove erguendo casas de fantasmas. Escrever é um ciclo infinito de fé e desencanto.

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