AMOR DE CINEMA na REVISTA BRASIL DRUMMOND

O Rio de Janeiro é muito mais que as praias de Copacabana, o carnaval e o samba. Vai além de Chico Buarque e dos escritos enfadonhos de Geovani Martins que tentam catapultar a periferia em um linguajar de novela das nove. Nesse Rio, o verdadeiro, e que muitas pessoas criticam por uma suposta falta de compromisso social, e que transita entre o Chopp gelado nos botequins entranhados entre os prédios da Tijuca, ou nas porções gordurosas dos queima bofes do Largo do Machado, aparece aos poucos as vozes roucas das personagens de Alexandre Coslei.

Do seu olhar sobre a cidade que o abriga e que cuspiu-lhe em vida, Coslei fez brotar uma existência singular sobre elementos que são normalmente deixados de lado, seja pela festiva esquerda fã de qualquer escrito de Chico Buarque – mesmo os mais ruins -, aos entusiastas das jovens revelações que as grandes editoras criam em seus departamentos de marketing. Coslei não faz parte dessa turma. Está mais para Sérgio Porto com seus ouvidos atentos, esperando sentado a ermo em busca de um farelo de intriga ou notícia. E embora não se lance em militância panfletária e bucólica ao escrever, tem toda a sensibilidade necessária para captar a alma e as necessidades dos que transitam pelas páginas dos seus livros.

UM ESCRITOR QUE PRECISA SER CONHECIDO E LIDO

A vida do carioca é matéria viva nas mãos de Coslei, cuja predileção pelos personagens do trânsito o levariam ao estrelato caso tivesse nascido em São Paulo. Paulista gosta de táxi, taxista gosta de quem fale deles, e o escritor – paulista fosse – seria alçado à adoração quase malufesca pelos profissionais da roda. Nem é isso que ele deseja. Solitário, o prazer do escritor é impregnar o mundo de suas impressões, ser lido sim, visto, por certo, mas é escrever que o mantém ativo. E ele tem feito do ofício um mecanismo de vida em meio aos atribulados dias de sempre em nossa pátria.

Coslei escreve do que conhece, amparado pelo solo carioca. Se escreve sobre os taxistas em suas crônicas quase que diárias, é porque é do meio, encampou a defesa dessa gente batalhadora. Se escreve sobre as meninas da Vila Mimosa, bom…Agora, seu novo livro nos apresenta um amor de cinema enquanto elemento principal, norteador e ponto de convergência entre histórias e crônicas. Alexandre Coslei escreve sobre gente comum, sem precisar levantar bandeiras (ainda que as tenha firmes e declaradas).

AMOR DE CINEMA

Podendo ser lido como um livro de crônicas sobre o Rio de Janeiro e seus habitantes, ou um romance distópico e fragmentado, Amor de Cinema (2021/Editora Sumário) traça um panorama sobre personagens em conflito e em busca de sua identidade. Embora o eixo cinema seja presente em uma crônica (ou capítulo) com o mesmo nome do livro, ele pode ser compreendido enquanto elemento de ligação entre as demais histórias.

O livro nos apresenta outras facetas de uma cidade que apenas poucos conhecem, com personagens enfurnados em concertos improváveis, amores e cenários em que personagens fortes e cativantes mergulham.

Os livros de Coslei podem ser comprados com o próprio autor (aqui) em chance única de conhecer a obra e a pessoa, além de estarem presentes em diversas livrarias no Rio de Janeiro.

Amor de Cinema traz ainda prefácio de Edmilson Borret (outro que vale a pena ser conhecido e lido) e orelha de Jean Serpa. Como brinde, fotos fantásticas de um Rio de Janeiro tendo Coslei como guia.

Link para o site da resenha: https://brasildrummond.com.br/amor-de-cinema-alexandre-coslei/

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