Táxis à deriva, uma história da covardia

Acordei bombardeado pelas notícias que narram mais capítulos de maldades do governo Bolsonaro, sempre apoiado pelos seus robôs virtuais e cidadãos guiados por infantilismos políticos. Lembrei-me que a primeira grande demonstração do poder destrutivo das Redes Sociais aconteceu contra os taxistas. Foi contra eles que se inaugurou um maciço discurso de ódio, uma vingança movida por ferozes autômatos digitais disparados sobre uma classe inteira de operários do volante.

Vidas Secas: o sertanejo como um fraco

Na contramão de Euclides da Cunha, que descreve o nordestino como um forte, contrariando também os valentes cangaceiros de Guimarães Rosa, o escritor Graciliano Ramos escolheu descrever figuras humanas que se declaram fracas e conformadas, vítimas de um hostil ambiente social e geográfico. Não agem, apenas reagem. Não resistem, somente subsistem.

O Centro das nossas desatenções

“O Centro das nossas desatenções” (de Antonio Torres, Ed. Record: 2015), define com precisão um sentimento que trago da infância, das minhas primeiras incursões guiadas por familiares às ruas do coração do Rio. Enquanto meu pai me carregava pela mão, marchando pela Rua da Alfândega, eu olhava assustado aquelas vielas estreitas, meu maior receio era que ele me soltasse e eu me perdesse naquele labirinto humano sem a referência do Minotauro.

A biblioteca de Van Gogh

Inúmeras vezes, nas cartas ao irmão Theo, Vincent Van Gogh discorre sobre literatura com a argúcia de um crítico e a paixão de um leitor voraz. A literatura é um tema tão recorrente para Van Gogh que nem nos surpreendemos quando ele confessa que poderia tê-la escolhido como meio de expressão, caso a pintura não se houvesse afirmado em sua vida.

O protagonismo da credibilidade

Assistindo a um documentário sobre Gay Talese, chega a surpreender o compromisso de jornalistas de outras terras com a credibilidade do próprio nome. Às vésperas do lançamento, Talese foi ao ponto de desautorizar um dos livros que escreveu por descobrir inconsistências no trabalho. Não foi o primeiro filme ou documentário sobre jornalistas relevantes em que o fator credibilidade protagoniza a história, ameaçando reputações de profissionais com sólida carreira no jornalismo.

Inércia

A miséria diante da nossa impotência moral.

Eu, subversivo

Demorei a encontrar um caminho viável para publicar um livro sem sair no prejuízo. Não concordo que quem escreve livros deva ficar feliz apenas em divulgar seu trabalho caso não consiga romper o funil das grandes editoras, que hoje atuam por critérios obscuros ditados pelos bancos que as controlam.